Solidão faz mal à saúde: OMS alerta para impactos no coração, cérebro e expectativa de vida

A solidão deixou de ser apenas uma questão emocional para se tornar um desafio global de saúde pública. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o isolamento social está associado a um maior risco de doenças cardiovasculares, transtornos mentais e morte precoce, afetando pessoas de todas as idades.

Foto: Wavy. revolution

Durante muito tempo, a solidão foi tratada como uma experiência individual, frequentemente associada apenas ao envelhecimento ou a momentos de tristeza. No entanto, as evidências científicas acumuladas nos últimos anos mudaram essa percepção. Hoje, organismos internacionais consideram a falta de conexão social um fator de risco importante para a saúde física e mental.

Em novembro de 2023, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou a Comissão sobre Conexão Social (Commission on Social Connection), classificando a solidão e o isolamento social como prioridades globais de saúde pública. A iniciativa reúne especialistas internacionais para desenvolver estratégias capazes de reduzir os impactos desse fenômeno, que afeta milhões de pessoas em diferentes países e faixas etárias. A comissão permanece ativa e continua produzindo estudos e recomendações para os governos. Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo a OMS, conexões sociais são tão importantes para a saúde quanto alimentação adequada, atividade física e acesso aos serviços de saúde. Quando essas relações se tornam escassas ou inexistentes, aumentam significativamente os riscos de adoecimento e de morte prematura.


O que é solidão e qual a diferença para isolamento social?

Embora sejam frequentemente tratados como sinônimos, solidão e isolamento social representam conceitos diferentes.

A solidão é um sentimento subjetivo. Ela ocorre quando uma pessoa percebe que suas relações sociais são insuficientes ou não atendem às suas necessidades emocionais.

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Já o isolamento social refere-se à ausência objetiva de contatos sociais, convivência ou participação em grupos e atividades comunitárias.

Uma pessoa pode estar cercada de familiares, colegas ou amigos e ainda assim sentir-se profundamente solitária. Da mesma forma, alguém que vive sozinho pode manter vínculos sociais fortes e não experimentar esse sentimento.

Essa distinção é considerada fundamental pelos pesquisadores, pois os dois fatores podem produzir efeitos semelhantes sobre a saúde.


Um risco comparável a fatores tradicionais de saúde

Diversos estudos publicados em revistas científicas de alto impacto demonstram que a falta de conexão social está associada ao aumento do risco de diversas doenças.

Entre os principais problemas identificados estão:

  • doenças cardiovasculares;
  • acidente vascular cerebral (AVC);
  • hipertensão;
  • depressão;
  • ansiedade;
  • declínio cognitivo;
  • demência;
  • pior qualidade do sono;
  • redução da expectativa de vida.

Uma meta-análise publicada na revista Perspectives on Psychological Science, envolvendo centenas de milhares de participantes, concluiu que o isolamento social, a solidão e viver sozinho estão associados a um aumento significativo do risco de mortalidade precoce. Os autores destacam que o impacto pode ser comparável ao de fatores de risco já reconhecidos na saúde pública, reforçando a necessidade de políticas voltadas ao fortalecimento das conexões sociais.


Como a solidão afeta o organismo

Os efeitos da solidão vão muito além do aspecto emocional.

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Pesquisas mostram que pessoas que permanecem por longos períodos sem conexões sociais significativas apresentam alterações fisiológicas importantes.

Entre elas:

  • aumento dos níveis de cortisol, conhecido como hormônio do estresse;
  • inflamação crônica de baixo grau;
  • maior pressão arterial;
  • alterações na resposta imunológica;
  • pior recuperação após doenças.

Essas mudanças favorecem o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e podem acelerar processos relacionados ao envelhecimento.

Especialistas explicam que o organismo interpreta o isolamento prolongado como uma situação de ameaça constante, mantendo o corpo em estado de alerta por períodos muito superiores ao recomendado.


Jovens também estão entre os mais afetados

Ao contrário do senso comum, a solidão não atinge apenas idosos.

Relatórios recentes da OMS indicam que adolescentes e jovens adultos apresentam índices crescentes de sensação de isolamento, impulsionados por fatores como mudanças nas relações sociais, uso intenso de tecnologias, dificuldades econômicas e impactos deixados pela pandemia de COVID-19.

O fenômeno preocupa autoridades de saúde porque essa faixa etária também registra aumento nos casos de ansiedade, depressão e outros transtornos relacionados ao bem-estar emocional.

Além disso, especialistas alertam que o excesso de interações digitais não substitui, por si só, as relações presenciais de qualidade.

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